quarta-feira, 23 de março de 2011

que a dor não falte
que o trabalho não sirva
que o sexo não baste


por favor,

para que eu viva de arte

sábado, 12 de março de 2011

quando o próximo poema?
quando o próximo passo?

ainda não
ainda não

abra pro tempo
mais um pouco de espaço

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

escrevo poesia no tempo que dá
entre uma mordida
e um gole de chá

sábado, 14 de agosto de 2010

..................................... alvorada
.................................................................................................... dia
................................................................. noite
.,....................................................................................................... madrugada


tudo se repete
e a vida segue

desenfrada

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Diálogo

- É verdade que você fala japonês?
- Falo, mas só um pouquinho. Preciso estudar mais.
- E como se diz "amor"?
- "Ai".
- Mas não é assim em todas as línguas?

terça-feira, 6 de julho de 2010

Frida

calo no sapato
acadêmico

Frida
Kahlo-me.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

de todas as saudades que me doem
a mais cruel
eu nem sei de onde vem.

domingo, 6 de junho de 2010

Caio Fernando Abreu disse que "Amor mata, amor mata, amor mata". Mentira. Amor passa, amor passa, amor passa. Antes matasse.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Crônica de fim de primavera

Desde o início, pra Jui, mo chara.

Ei, só tô te escrevendo pra dizer que estou feliz. Pra você não ficar preocupada como ficou aquele dia. É que a gente acha demais que ficar até tarde de noite no computador trablhando não faz mal, que no dia seguinte vai estar tudo bem. É que a gente pensa demais que pode viver como se não fosse com a gente, como se não tivesse nada a ver com isso. E continuaria pensando que viver assim também pode ser felicidade, se não existissem esses dias de fim de primavera. Esses em que a gente vive como se fosse assunto nosso. Esses em que a gente não vai à aula ou ao trabalho para fazer teatro, e vê mais cedo a luz do dia que aparece pela primeira vez em algumas semanas. Aí a gente entende que existe plenitude, e se sente o super homem do Nietzsche em alegria. Se permite correr na rua quanto e como quer, e entrar até nas lojas que não têm nada a ver, e de repente se vê no alto do arco do viaduto de Sta. Tereza, em plena luz do dia, e se acha dono do mundo.

Hoje eu iria a pé do Floresta até Nova Lima, e já fiz metade do caminho. É que me sinto vontade de Schopenhauer e todo mundo é igual a mim. Hoje realizo a vontade toda e ela se desfaz, e o mundo todo é radiante como eu.

Não tenho coragem de ouvir minhas músicas e ligo o rádio, quero cantar e só na minha língua. Até os cafés que tanto amo para escrever me parecem repugnantes com sua luz baixa e cheiro de gente que não descansa. Hoje quero receber luz e achar que crio vento quando corro e meus cabelos parecem rir.

Quero também alguém com quem eu possa compartilhar tudo isso, mas não tem...

Todos meus amigos estão longe: pro norte, pro sul, pra dentro. Dentro de si ou de preocupações... mas tudo bem. Hoje posso reinventar vocês todos e compartilhamos do mesmo desvario, entre nós não há mais espaço que num abraço.

Amo vocês, e lembrem-se sempre que amo vocês como só é possível em dias como esse. Mesmo nos outros dias, mesmo quando e se voltar a achar que se pode viver de outro jeito.

sejam felizes também, queridos.

sábado, 10 de abril de 2010

[in:] Finito


Primeira de uma série de transcriações de poesias italianas trazidas para o contexto belo-horizontino.

Sempre caro me foi este simples arco

e não estes prédios, que de tanto céu
e da última serra a visão bloqueiam.
Mas sentada enquadrando as paisagens
que escapam deles, e além-homens
silêncios, e profundíssima paz
eu tento inventar, mas logo
o coração meu se descompassa. E como o trem
ouço rugir sob este viaduto, eu aquele
impossível silêncio a esta fúria
vou comparando: e me foge o eterno,
e os quietos tempos, e o presente
fica, e o desespero dele. Assim entre
esta agitação se perde o pensar meu:
e o naufragar me seria doce sob estes trilhos.



Infinito
Sempre caro mi fu quest'ermo colle,
e questa siepe, che da tanta parte
dell'ultimo orizzonte il guardo esclude
Ma sedendo e mirando, interminati
spazi di là da quella, e sovrumani
silenzi, e profondissima quïete
io nel pensier mi fingo, ove per poco
il cor non si spaura. E come il vento
odo stormir tra queste piante, io quello
infinito silenzio a questa voce
vo comparando: e mi sovvien l'eterno,
e le morte stagioni, e la presente
e viva, e il suon di lei. Così tra questa
immensità s'annega il pensier mio:
e il naufragar m'è dolce in questo mare

Giacomo Leopardi


porque ele se mataria pulando do arco do viaduto de Sta. Tereza se morasse na BH do século XXI, certeza.